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	<title>Jóia de Família</title>
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		<title>Jóia de Família</title>
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		<title>Coragem</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 16:48:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O meu filho tem vivido episódios recorrentes do que agora se chama, com charme técnico, &#8220;bullying&#8221;. Não se trata, graças a Deus, de qualquer perseguição concertada e malévola. São os pequenos anos  na largura da sua alienação a distribuirem espinhos &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2012/01/27/coragem/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=498&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O meu filho tem vivido episódios recorrentes do que agora se chama, com charme técnico, &#8220;bullying&#8221;. Não se trata, graças a Deus, de qualquer perseguição concertada e malévola. São os pequenos anos  na largura da sua alienação a distribuirem espinhos como se repartissem berlindes, sem qualquer cuidado.</p>
<p style="text-align:justify;">Ontem houve um desenvolvimento feliz. Inesperado, até. Depois de outro episódio de infantil violência, e com algum tempo de permeio, o meu filho dirigiu-se ao malfeitor. Rodeados por muitos outros meninos, os dois encararam-se.</p>
<p style="text-align:justify;">Não houve o silêncio dos filmes. Manteve-se o burburinho salutar das grandes congregações. Mas a voz do Bias impôs-se ao momento e expôs, na sombra do seu cabelo loiro, uma propensão humana para a dignidade. &#8220;Porqué me pegaste?&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao outro menino, falho de argumentação, restou verter o embaraço na cápsula do insulto: &#8220;estúpido&#8221;. Para logo se afastar envolto em fúrias. Apercebendo-se da pequena vitória da ousadia, o Bias sorriu.</p>
<p style="text-align:justify;">A dose exacta de coragem de que necessitou para abafar o tremor do medo, desconheço-a. Não há medida que nos diga a intensidade do esforço humano. Terá sido uma força telúrica que o resgatou da paralisia de presa. E que, no mesmo sopro, explicou ao seu corpo a composição física do respeito.</p>
<p style="text-align:justify;">De todas as  palavras de apoio e orientação que, nos últimos anos, fui dando ao meu menino, não me lembro de ter mencionado a coragem. Falei-lhe em paz, em virar as costas, em desvalorizar, em olhar para a frente, em ignorar. Em nenhuma ocasião sublinhei a bravura do confronto, por medo que a sua infância confundisse a força com a violência.</p>
<p style="text-align:justify;">E no entanto, sem que eu suspeitasse, o Bias já sentia nos ossos a honradez. Uma linguagem tão profunda que, em lugar de se prestar às palavras, irradia do corpo. Um menino humanamente de pé.  A tactear a textura da vida na esperança de encontrar a sua terra firme. Com coragem. Com imensa coragem. A enfrentar, não outro menino, mas o terrível medo que nos manipula.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/joiadefamilia.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/joiadefamilia.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/joiadefamilia.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/joiadefamilia.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/joiadefamilia.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/joiadefamilia.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/joiadefamilia.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/joiadefamilia.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/joiadefamilia.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/joiadefamilia.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/joiadefamilia.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/joiadefamilia.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/joiadefamilia.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/joiadefamilia.wordpress.com/498/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=498&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Caveat 2012</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 14:02:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Começámos a escavar em ti um túnel. Como medida primeira. Os prenúncios que te antecederam falavam de rendas negras a cobrir o mundo. Inexoravelmente, fomo-nos aproximando encandeados e aos tropeções. As mãos adiantadas na extensão dos braços (sempre esta ilusão &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2012/01/03/caveat-2012/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=494&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Começámos a escavar em ti um túnel. Como medida primeira.</p>
<p style="text-align:justify;">Os prenúncios que te antecederam falavam de rendas negras a cobrir o mundo. Inexoravelmente, fomo-nos aproximando encandeados e aos tropeções. As mãos adiantadas na extensão dos braços (sempre esta ilusão de podermos parar o destino). O teu primeiro minuto, inocente, percebeu que te acusavam de um odor sulfúrico. Alguns sábios alertaram para que talvez não fosse teu. Mas, na verdade, a nuvem vermelha alaranjada acompanha-te e caminha ao teu lado. Podes provar que estás limpo? Já te fizémos cruel. Depositámos um pesado ónus sobre a ainda leve inexistência dos teus dias.</p>
<p style="text-align:justify;">Na sabedoria conjunta que forjámos nos jornais demos-te como anquiloso personagem do tempo. Vens roubar a alegria que tínhamos. És mítico e feroz. Na solidão dos teus quatro números a trotarem em formação equestre. </p>
<p style="text-align:justify;">Esperámos-te com as foices viradas do avesso. Espreitavam o  peito que lhes oferecíamos. O nosso. Tu és o indizível tempo. E, embora, te demos o nosso ódio, julgamos-te incapaz de agência moral. Time can do no wrong.</p>
<p style="text-align:justify;">Nós é que nos fomos transformando naquilo que temíamos em ti. E condenámo-nos a viver somente a escuridão de ti. No túnel que perfuramos na barriga dos teus sonhos.  Hoje és 2012 e aí não nos vergamos. Vamos cumprir o que as pitonisas de cobre gritaram pressentir nos teus 365 véus. Com os olhos infectados de tanta amargura. Recebemos-te com rancor no parto nocturno. Nem nos demos a oportunidade de olhar para ti.</p>
<p style="text-align:justify;">Vem 2012, mostra-nos como nos enganámos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/joiadefamilia.wordpress.com/494/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/joiadefamilia.wordpress.com/494/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/joiadefamilia.wordpress.com/494/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/joiadefamilia.wordpress.com/494/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/joiadefamilia.wordpress.com/494/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/joiadefamilia.wordpress.com/494/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/joiadefamilia.wordpress.com/494/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/joiadefamilia.wordpress.com/494/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/joiadefamilia.wordpress.com/494/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/joiadefamilia.wordpress.com/494/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/joiadefamilia.wordpress.com/494/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/joiadefamilia.wordpress.com/494/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/joiadefamilia.wordpress.com/494/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/joiadefamilia.wordpress.com/494/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=494&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sonhos</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 13:34:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se eu tivesse de escrever uma carta subversiva citaria Teolinda Gersão. Escolheria poucas palavras e abriria espaço para a revelação antiga que ela soube dizer tão bem: &#8220;&#8230; porque se tu soubesses a força que há nos sonhos, de noite levantar-me-ias &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2012/01/03/sonhos/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=491&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Se eu tivesse de escrever uma carta subversiva citaria Teolinda Gersão. Escolheria poucas palavras e abriria espaço para a revelação antiga que ela soube dizer tão bem: &#8220;&#8230; porque se tu soubesses a força que há nos sonhos, de noite levantar-me-ias as pálpebras para ver o que estou sonhando e controlar o sonho&#8230;&#8221;. No final, dobraria a carta em quatro, como fazemos ritualmente aos boletins de voto, e abandonar-me-ia a um transe de esperança e dor. Até adormecer.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/joiadefamilia.wordpress.com/491/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/joiadefamilia.wordpress.com/491/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/joiadefamilia.wordpress.com/491/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/joiadefamilia.wordpress.com/491/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/joiadefamilia.wordpress.com/491/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/joiadefamilia.wordpress.com/491/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/joiadefamilia.wordpress.com/491/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/joiadefamilia.wordpress.com/491/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/joiadefamilia.wordpress.com/491/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/joiadefamilia.wordpress.com/491/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/joiadefamilia.wordpress.com/491/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/joiadefamilia.wordpress.com/491/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/joiadefamilia.wordpress.com/491/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/joiadefamilia.wordpress.com/491/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=491&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Natal no Verão</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 02:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No hemisfério sul temos jasmins na época natalícia. Vendem-se aos molhos, por todos os lados, em pequenos funis de cartão branco. As pessoas que regressam da praia levam-nos consigo nos sacos de pano ou de palha. Os corpos estridentes ainda &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2011/12/22/o-natal-no-verao/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=486&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">No hemisfério sul temos jasmins na época natalícia. Vendem-se aos molhos, por todos os lados, em pequenos funis de cartão branco.</p>
<p style="text-align:justify;">As pessoas que regressam da praia levam-nos consigo nos sacos de pano ou de palha. Os corpos estridentes ainda besuntados de cremes, imprescindíveis face à inclemência solar na proximidade do pólo sul.</p>
<p style="text-align:justify;">Os jasmins são indiferentes a tudo. Guerreiros devotos na luta íntima pela pujança máxima da vida. Mesmo colhidos e amputados, são meta-humanos nas jarras-destino. Definham heroicamente. Incessantemente fabulando novos graus de beleza para o seu perfume. Tão mais intenso e vivo quanto mais próximo da extinção.</p>
<p style="text-align:justify;">O acto final dá-lhes sempre a oportunidade de chocarem o mundo com a generosidade. Jasmins, brancos jasmins de Natal.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/joiadefamilia.wordpress.com/486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/joiadefamilia.wordpress.com/486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/joiadefamilia.wordpress.com/486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/joiadefamilia.wordpress.com/486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/joiadefamilia.wordpress.com/486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/joiadefamilia.wordpress.com/486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/joiadefamilia.wordpress.com/486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/joiadefamilia.wordpress.com/486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/joiadefamilia.wordpress.com/486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/joiadefamilia.wordpress.com/486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/joiadefamilia.wordpress.com/486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/joiadefamilia.wordpress.com/486/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/joiadefamilia.wordpress.com/486/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/joiadefamilia.wordpress.com/486/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=486&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Agradecimentos</title>
		<link>http://joiadefamilia.wordpress.com/2011/12/22/agradecimentos/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 01:59:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No Uruguai aplaude-se o pôr-do-sol. Quem está na praia no epílogo do dia bate palmas quando a luz se afunda na nova noite. Agradece-se ritualmente o privilégio de ver o santo astro na previsível rotina. Dá-se graças. Em silêncio. Em &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2011/12/22/agradecimentos/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=484&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Uruguai aplaude-se o pôr-do-sol. Quem está na praia no epílogo do dia bate palmas quando a luz se afunda na nova noite. Agradece-se ritualmente o privilégio de ver o santo astro na previsível rotina. Dá-se graças. Em silêncio. Em conjunto.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/joiadefamilia.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/joiadefamilia.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/joiadefamilia.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/joiadefamilia.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/joiadefamilia.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/joiadefamilia.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/joiadefamilia.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/joiadefamilia.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/joiadefamilia.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/joiadefamilia.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/joiadefamilia.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/joiadefamilia.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/joiadefamilia.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/joiadefamilia.wordpress.com/484/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=484&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>José Mauro de Vasconcelos</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 20:25:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A memória somos nós. José Mauro de Vasconcelos sou eu. Apesar de ter sido um homem, num país gigante. Ele sou eu porque há dois livros. Dois poemas longos sobre a inocência e o crescimento que enchem a minha memória. &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2011/12/14/jose-mauro-de-vasconcelos/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=470&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A memória somos nós. José Mauro de Vasconcelos sou eu. Apesar de ter sido um homem, num país gigante. Ele sou eu porque há dois livros. Dois poemas longos sobre a inocência e o crescimento que enchem a minha memória. Eu. A minha mão não se apoiaria no papel, neste momento, com este cálculo de força, se outra recordação tivesse de momentos antigos. Se não tivesse existido em mim um pé de laranja lima ou uma canoa. Sem esses empreendimentos da ternura, o Outro seria outro e o seu rosto não teria tanta candura. Eu não sentiria o mesmo respeito. E os eléctricos não invocariam a lembrança do bom Portuga. Eu seria menos verde, menos rio.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não. Mesmo depois da sua morte em 1984, eu conheci-o e negociámos a amizade. Sem enganos. No recato que se impõe ao relacionamento entre as gerações distantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele foi generoso na vida eterna que a escrita lhe ofereceu. Tomou-me pela mão e levou-me um pouco além da linha da partida. Não foi o exemplo de Jesus que me ensinou a amar as pessoas. Chorei a cada epifania, feliz por poder sofrer na beleza dos livros.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/joiadefamilia.wordpress.com/470/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/joiadefamilia.wordpress.com/470/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/joiadefamilia.wordpress.com/470/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/joiadefamilia.wordpress.com/470/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/joiadefamilia.wordpress.com/470/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/joiadefamilia.wordpress.com/470/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/joiadefamilia.wordpress.com/470/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/joiadefamilia.wordpress.com/470/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/joiadefamilia.wordpress.com/470/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/joiadefamilia.wordpress.com/470/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/joiadefamilia.wordpress.com/470/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/joiadefamilia.wordpress.com/470/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/joiadefamilia.wordpress.com/470/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/joiadefamilia.wordpress.com/470/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=470&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>No espelho retrovisor</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Dec 2011 01:29:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A caminho do nosso bairro La Tahona usamos a Ruta Interbalnearia. A mesma que usam os veraneantes para chegar à pressa a José Ignacio ou a Punta del Este. Às praias do Atlântico Sul. Aos lugares bonitos que ajudam a &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2011/12/11/no-espelho-retrovisor/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=458&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A caminho do nosso bairro La Tahona usamos a Ruta Interbalnearia. A mesma que usam os veraneantes para chegar à pressa a José Ignacio ou a Punta del Este. Às praias do Atlântico Sul. Aos lugares bonitos que ajudam a esquecer o calor da cidade. Ou tão somente o seu esgar cinzento. Al Este, apregoam todos os sinais.</p>
<p style="text-align:justify;">Para trás fica Montevideu. Tímida menina. Escondida sob as árvores que se curvam em piedade.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos os dias saio da cidade para ir pousar no campo. Digo adeus à melancolia urbana e vou para Este. Onde o ar se respira com o prazer das flores. E o ferro betonado fala na paisagem com comedimento. Receoso do pasto verde que se arroga todo o espaço.</p>
<p style="text-align:justify;">Numa destas viagens, parei no semáforo para virar à esquerda. Ia a jornada na puberdade do meio-dia. O calor, enfeitiçado pelo inferno, parecia querer incendiar o tempo. Eu  e a minha filha ignorámos as ameaças e ficámos quietas no carro. Ela na proximidade do sono e eu na abstracção das imagens sem sentido. Revendo sem compromisso os pormenores do carro. Até que fixei a visão no espelho retrovisor.</p>
<p style="text-align:justify;">A imagem composta que encontrei entusiasmou-me. A cara pequenina e serena da Sophia era um arco irreal por onde desfilavam os carros. E apesar de perpassada pelas máquinas em velocidade, a ideia facial da Sophia estava linda e inteira. Como se a estrada alcatroada que irrompia pelo plano projectado no seu rosto fosse tão somente a linha do tempo que se tornava discurso.  A História falava na Sophia com voz rectilínea e tom motorizado. Aproveitando-se das credulidades da infância e da sua generosidade. Que nem todos aceitamos ser oráculo. Mais a mais sujeitos à astúcia do acaso.</p>
<p style="text-align:justify;">A luz verde do semáforo desfez o encanto. Reiniciámos a marcha e perdeu-se o posicionamento profético.  Seguimos muito caladas pelo Camino de los Horneros. Em direcção a casa.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/joiadefamilia.wordpress.com/458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/joiadefamilia.wordpress.com/458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/joiadefamilia.wordpress.com/458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/joiadefamilia.wordpress.com/458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/joiadefamilia.wordpress.com/458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/joiadefamilia.wordpress.com/458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/joiadefamilia.wordpress.com/458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/joiadefamilia.wordpress.com/458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/joiadefamilia.wordpress.com/458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/joiadefamilia.wordpress.com/458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/joiadefamilia.wordpress.com/458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/joiadefamilia.wordpress.com/458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/joiadefamilia.wordpress.com/458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/joiadefamilia.wordpress.com/458/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=458&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pai</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 19:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A mecânica que produz a oralidade deste nome é directa e incisiva e comporta dois movimentos. Inicialmente, um aplauso invertido de lábios irrompe pela realidade. &#8220;Pa&#8221;, perdoem-nos a franqueza de querermos saber desde logo o início e a causa de &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2011/12/09/pai/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=452&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A mecânica que produz a oralidade deste nome é directa e incisiva e comporta dois movimentos. Inicialmente, um aplauso invertido de lábios irrompe pela realidade. &#8220;Pa&#8221;, perdoem-nos a franqueza de querermos saber desde logo o início e a causa de tudo. Pedimos a origem num prato salgado e lúgubre. Nú de enfeites. &#8220;Pai&#8221;, e logo, quase arrependidos da brusquidão, afinamos a boca para cantar o &#8220;i&#8221; longo e cintilante que deixa um lastro de humildade.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Pai&#8221;, não me canso de revisitar esta palavra no nevoeiro do tempo interior. Na liquidez dos pensamentos emocionados não tenho a capacidade de distinguir a luz do substantivo da vida do corpo. O Pai-conceito confunde-se em cada ponto com a individualização do &#8220;meu Pai&#8221;. Pai vivido, Pai da Terra e do Mar.  O Homem que conspirou para a minha existência é a imagem sagrada e dita da origem. O começo e a largura de mim. Num tecido estirado por cima de todos os dias. Não há ideia que nasça do recôndito deste cérebro fraco que não se preste ao olhar desse actor primeiro. Permanente, assíduo olhar esculpido na minha alma. Pai-meu, Pai-luz, Pai-âncora.</p>
<p style="text-align:justify;">O mar de sangue inteligentemente aproveitado no regadio do corpo &#8211; és tu Pai, a força que alaga o espaço e desencadeia a vida. O escorrer dos sonhos, o capricho dos cabelos, o molde sério e direito das mãos, a ofuscação perante a sabedoria &#8211; és tu Pai. Pai-Rei, Pai-guia, Pai-palavra. Em todas as fiadas da memória estás presente e convicto. Criei-me na generosidade do teu entendimento. Pai-homem, gentil homem, homem digno, Pai.</p>
<p style="text-align:justify;">Há muito recebi a tua herança: esta mundividência que somente me concebe de pé na liberdade do vento. Que fortuna a minha que sou pessoa desde que nasci. Quanto cresci em volta dos teus livros. Na maresia das histórias que sabes contar. Nas palavras que caíam nas longas caminhadas que fizemos juntos.</p>
<p style="text-align:justify;">O &#8220;meu-Pai&#8221; é um nome composto que à essencialidade e à humildade acrescenta o amor. Possessivo ou não. Demonstrado ou não. Dito ou não. O &#8220;meu&#8221; atira qualquer discurso ou ladaínha para o pântano da subjectividade. O emaranhado escondido de muitas seivas espessas e reverentes. O &#8220;meu-Pai&#8221; é a tradução humana possível de um vínculo de pertença, amor, orgulho e gratidão aparentado à gravidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Pai-luta, Pai-sem medo, Pai-vitória. Recordo os teus dedos a correr os livros que gostavas de ler, na poltrona tua, perto da janela que te oferecia o sol. No cuidado com que tocavas o papel percebia-se o longo caminho que tinhas feito. De muito longe até ali. Nas vagas da história e nos estilhaços da guerra. Pai-coragem, Pai-força. Construíste-te no trabalho e na abnegação. Tiraste da minha existência a banalidade e a mesquinhez. E para isso tiveste de ser somente tu, fiel à história de sacrifício de onde provimos juntos, irradiando luz. Eu não me destrinço da tua malha, levo o cálice da ilha seca no cuidado das minhas mãos. O sangue continua a jorrar na linha de nós, para sempre.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/joiadefamilia.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/joiadefamilia.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/joiadefamilia.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/joiadefamilia.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/joiadefamilia.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/joiadefamilia.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/joiadefamilia.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/joiadefamilia.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/joiadefamilia.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/joiadefamilia.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/joiadefamilia.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/joiadefamilia.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/joiadefamilia.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/joiadefamilia.wordpress.com/452/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=452&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tragédia em Carrasco</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 12:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Noite de Domingo. A madrugada pendurou-se nas árvores paradas. A presença espessa do calor está na rua com displicência. É Novembro no Hemisfério Sul e todos desejávamos que houvesse mais vento. No bairro estrelado de Carrasco chegou a notícia estival &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2011/12/01/tragedia-em-carrasco/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=447&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Noite de Domingo. A madrugada pendurou-se nas árvores paradas. A presença espessa do calor está na rua com displicência. É Novembro no Hemisfério Sul e todos desejávamos que houvesse mais vento.</p>
<p style="text-align:justify;">No bairro estrelado de Carrasco chegou a notícia estival e o desconforto que a acompanha. O Verão vem com as suas fagulhas queimar os dias.</p>
<p style="text-align:justify;">Da elegância das casas, imóveis nas quadras certas, desprende-se um perfume que atrai os vultos pardos da noite. Desfilam pelos caminhos. Com os seus planos de redistribuição amachucados nas algibeiras. Sempre alerta às oportunidades.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesta noite inerte de Domingo há um lar que se agita intoxicado pelo medo. Tem na história recente a nódoa de um assalto que lhe entregou a fúria e o profundo desconcerto. A casa de quatro pessoas.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora o Pai descansava com o sono leve dos acossados. Logo que de fora lhe chegaram os ruídos, tomou o seu lugar de vigília. Equipado com um revólver que lhe tremia nas mãos.</p>
<p style="text-align:justify;">As folhas do jardim, aos ouvidos do Pai preocupado, gemiam &#8220;copamiento&#8221;. Não há peito que segure um coração atormentado. A tensão e o medo chicoteiam o músculo vital atirando todo o corpo para a beira do abismo. Cheira-se o pânico a desprender-se de todos os lados. Os olhos da família voam de canto em canto na ânsia de compreenderem a escuridão.</p>
<p style="text-align:justify;">O Domingo transmuta-se em segunda-feira no mistério da ainda escura alvorada. E a noite que se vai enterrando no solo despede-se cantando suspeitas. Sussurra o próprio ar quieto que o perigo se ri daquela gente. Com sarcasmo.</p>
<p style="text-align:justify;">No bairro de Carrasco, pelas 4 horas, abre-se uma porta sem pressa. Na calada do tempo. Move-se o rectângulo de madeira sem consciência  do fogo que arde dentro da casa. E abre-se totalmente ao medo desprovido de luz. O pai, possuído pelo ribombar do coração, dispara de uma vez um tiro contra a figura que se desenha na escuridão meio iluminada. Estranhamente vingativo no empenho que pôs no gatilho. E com um estrondo cai o corpo ao chão. Os cabelos espalham-se pelo tapete. Escorre o seu sangue do tórax perfurado. Na entrada, está caída a sua filha, vítima do medo do Pai.</p>
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		<title>A Justiça é uma mulher que vive todos os dias</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 17:44:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joanafisher</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu vi um homem a comer no lixo. Não como vira anteriromente pessoas a tirar sustento do que encontravam em baldes ou sacos deitados nas ruas, competindo com cães, gatos e ratos pelo prémio das sobras. Eu vi a silhueta &#8230; <a href="http://joiadefamilia.wordpress.com/2011/11/21/a-justica-e-uma-mulher-que-vive-todos-os-dias/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joiadefamilia.wordpress.com&amp;blog=1031210&amp;post=435&amp;subd=joiadefamilia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eu vi um homem a comer no lixo. Não como vira anteriromente pessoas a tirar sustento do que encontravam em baldes ou sacos deitados nas ruas, competindo com cães, gatos e ratos pelo prémio das sobras. Eu vi a silhueta de um homem agachado dentro de um contentor amplo com os pés e as mãos a remexerem o lixo cru. Ambientado dentro da caixa fétida.</p>
<p style="text-align:justify;">Com os dedos magros levava à boca o que lhe parecia útil. E mastigava alheio ao asco que os outros viam naquela cena. Mastigava com fome, como qualquer um de nós que se senta à mesa. Saciava-se daquela maneira possível e impossível simultaneamente. Na fraca luz que lhe ia chegando ao interior do contentor. E na irrealidade do odor que subia em espirais para o céu.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu não consigo esquecer o que vi. Por mais que pegue em livros ou veja filmes ou tenha conversas interessantes. Eu vi um homem em casa no lixo. Uma pessoa arredada da convencionalidade humana a montar um novo mundo com restos entornados de dignidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando passei mais perto dele, o homem sobressaltou-se e espreitou pela tampa aberta &#8211; que ele havia sustido com uma garrafa de plástico para garantir a saída. Pudessem outros ter visto o vazio espantado do seu olhar. Ou alguém tivesse notado o tom ocre subterrâneo que a fome e o abandono lhe haviam posto na cara sem justiça. O seu rosto não se distinguia das sombras de onde emergia. Os olhos eram a única recordação das nossas semelhanças.</p>
<p style="text-align:justify;">O homem dever ter odiado o medo que senti. Fora de todas as referências, eu não consegui ordenar ao instinto que ouvisse o coração. E todo o meu corpo se descompôs em sinais de alerta e de fuga. Acossada perante uma presa do acaso a quem o mundo perdeu, por enquanto.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu vi um homem a comer no lixo. Eu regressava a casa vinda do supermercado. Pela via da luz e a roçar os arbustos demasiado crescidos nos jardins. Instintivamente alegre por ter um caminho e um lugar onde me esperavam. Ele ficou no lixo, na contínua actuação do seu sofrimento. Falho de tantas coisas. A viver da sujidade dos outros e do seu esquecimento. Eu perguntei a Deus se existe a ressaca moral. Ele respondeu-me: &#8220;A Justiça é uma mulher que vive todos os dias&#8221;.</p>
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