Se eu tivesse de escrever uma carta subversiva citaria Teolinda Gersão. Escolheria poucas palavras e abriria espaço para a revelação antiga que ela soube dizer tão bem: “… porque se tu soubesses a força que há nos sonhos, de noite levantar-me-ias as pálpebras para ver o que estou sonhando e controlar o sonho…”. No final, dobraria a carta em quatro, como fazemos ritualmente aos boletins de voto, e abandonar-me-ia a um transe de esperança e dor. Até adormecer.