Pelas sete horas da manhã de Sábado, só uma mulher preocupada pode estar a pé. Não há planos de aventuras madrugadoras nem compromissos inadiáveis que requeiram a sua presença, e mesmo assim a mulher preocupada levantou-se, as finas luzes da penumbra revelam os olhos muito abertos e cansados. Os dentes dolorosamente cerrados ruminam sem movimento os seus segredos.
Às sete da manhã não há destino possível dentro de uma casa. De uma casa que ainda dorme e que não suporta o toque indiscreto do som. Há porventura a janela, que suga sem memória os sonhos. Mas não existe verdadeiro ponto de chegada, apenas um cruzamento imenso de proibições e de recolhimentos. Linhas e linhas de tempo não vivível.
À mulher preocupada não resta outra opção do que a escolha cautelosa de um centro imaginário e a imobilidade no aconchego do seu perímetro. A paralisia das estátuas atormentadas. Dentro de quem bate um coração que perdeu, momentaneamente, o ritmo da esperança e se engalfinhou nos compassos desgovernados do desassossego.
Em breve uma pergunta a resgatará daquela prisão. “Mummy, onde estás?”. E ela acordará sincera, querendo ser tudo menos a preocupação ou os medos. Comporá o desalinho dos seus cabelos e corrigirá, não sem algum esforço, a expressão pesada que a manhã cravou no seu olhar. Por um filho faz-se tudo, até morrer.
