Tenho um prazer obsceno em pagar contas. Em sentir-me bem comportada, ordeira, tranquila, sem dívidas, limpa e sã. E quando as contas estão pagas faço intermináveis listas das coisas que tenho de pagar e, com a diligência infantil de quem brinca às professoras, desenho “certos” em frente de cada item resolvido. Esticando o prazer de [...]
Maio 23, 2007
Cesariny
O navio de espelhos
não navega, cavalga
Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível
Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos
Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele
Os armadores não amam
a sua rota clara
(vista do movimento
dir-se-ia que pára)
Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga
O seu portão traz nada
nada leva à partida
Vozes e ar pesado
é tudo o [...]
